Nem deveria ficar com raiva. O que era esperado aconteceu. Foi confirmado. A culpa foi minha. Nunca deveria ter feito o que fiz. Já tinha errado uma primeira vez. As pessoas se distanciam e nunca mais tocam no assunto. Não há honra com o compromisso formalizado de maneira informal.
A segunda vez foi na empolgação, pensei que estaria ajudando, mas as pessoas tem suas outras prioridades, diferentes das suas. O sonho não era o mesmo. Erro meu mais uma vez.
A terceira seria a última? Seu coração está no lugar certo? O erro seria se concentrar em pessoas individuais? Não seria melhor doar para pessoas anônimas? As que você pensa conhecer não são suas amigas. Ou são apenas maus amigos? As pessoas erram? Sim, com certeza errei. Errei em acreditar, em criar expectativas.
As pessoas são egoístas, você deveria ser egoísta também ou guardar para as pessoas que realmente se importam com você, as pessoas que pagariam pelo seu velório, pelo seu enterro, que chorariam em seu túmulo, aquelas que sentiriam saudades de você. As demais não importam. O erro foi seu. Não se cria conexão assim. Não se cria gratidão assim.
Vou contar sobre minha experiência de emprestar dinheiro, nunca deu certo. Graças, nunca passei por necessidade alguma. Vim de uma família de lavradores que foram morar na cidade. Graças, a vida aqui deu certo, mas sempre aprendemos a economizar, nunca nos esbaldar com coisas supérfluas. Não que a gente passasse vontade de comer uma guloseima, mas nunca compraríamos aquele material escolar caro dos sonhos, nunca pagaríamos uma festa de formatura. Também, muitas vezes, nem pensaria em pedir para ir numa excursão ao Parque de Diversões, a resposta seria negativa. Muito caro. Com pouco dinheiro, temos que fazer escolhas do que é realmente importante.
A minha vida não foi triste, longe disso. Tivemos consoles de vídeo game. Jogamos bastante. Fomos em festa de casamento de primos. Visitamos a casa dos avós no sítio, pescamos e comemos bem. Foi uma boa infância.
Cultivamos outros valores. Uma festa não vale o preço. Deixei de pagar a festa de formatura da faculdade para comprar um notebook. Para mim era muito mais valioso ter esse instrumento que me ajudaria em estudar do que criar lembranças que talvez nem fossem boas no final.
Devo escolher e dizer não. Não sou responsável por você. Não sou culpada pela sua falta de sorte. Não estou usando o dinheiro que poderia ser economizado para pintar o cabelo ou comer fora. Porém, não quero ser chata, não quero ser odiada, não quero ser hipócrita. Assim, o dinheiro que poderia ser economizado se perdeu. Poderia ter se tornado um instrumento de trabalho para alcançar meus próprios sonhos.
Arrependimento? Não, afinal tudo é experiência. O problema é que tenho falhado comigo mesma. Pode ser que me anule sendo uma boa pessoa? Talvez. A decisão que me cabe agora é, economizar e gastar com aqueles que amo.
E você? Já emprestou dinheiro e se arrependeu?


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