segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Conto: "Te encontro no escuro"

O resultado do Concurso de Conto da Tizy saiu no sábado, dia 17:
http://tanthosxii.blogspot.com.br/2012/11/resultado-do-concurso-de-contos.html

Fiquei em 2º outra vez! \o/ (de 3 participantes!?!?)

Eis aqui o meu conto para quem quiser ler (a Tizy ainda não colocou no blog dela):




“Te encontro no escuro”


Outubro. Passado o dia das crianças e o dia dos professores o mês já estava no fim, mas antes disso ainda havia o dia das bruxas.
A escola estava agitada. Os professores estavam organizando uma festa à fantasia. Uma semana antes todos já estavam pensando em seus trajes para o evento. Eu não era exceção, e nem minha colega Letícia:
- Acho que irei fantasiada de fada. Vou pegar um vestido verde claro que tenho lá em casa, aí faço as asas e a varinha depois. E você? Vai vir vestida de quê Nélia?
Meu nome é Agnélia.
- Acho que vou de bruxa.
- Bruxa?! Escutou essa Breno? A Nélia vai vir de bruxa!
Ótimo! O retardado do Armando me ouviu.
- Ha! Mas ela nem vai precisar de fantasia!
- Ô Nélia! É para vir fantasiada! Não para vir de você mesma!
- Deixem de ser chatos! Ah, esses meninos! Não liga não Nélia.
Tudo bem. Sei que não sou bonita, mas também não sou feia. Eles podem falar o que quiser. Não ligo. A única pessoa de quem estou ligando é o Júlio. Ele é tão diferente dos outros garotos, sem ser um esquisitão ou um excluído. Ele sabe se enturmar sem parecer um idiota piadista:
- Vocês vão vir fantasiados de quê?
- Surpresa!
- Zumbis?
- Ah! Não estraga!
- Vai ser a noite do terror!
Minha sala está entusiasmada pois a festa será à noite. Nós estudamos de manhã.
Olho para janela e espero esses momentos tediosos passarem. O ano praticamente já terminou. Não irá acontecer nada demais nessa festa. Não tenho coragem de chegar perto do Júlio e conversar. Ás vezes de tão diferente dos outros ele parece ser inalcançável. Porém, ainda me pego pensando se conseguiria me confessar estando fantasiada.
“Seria bom se algo acontecesse.”
Vou na papelaria. Um rapaz me atende:
- Papel cartão preto? Quantas folhas?
- Duas.
- Vou ver se tenho ainda. Ultimamente está saindo bastante. Estão pedindo para o Halloween. Na sua escola vai ter uma festa à fantasia não é?
- Isso. Vou fazer um chapéu. Vou de bruxa.
O rapaz é bem informado e simpático. Tem um sorriso estranhamente encantador e familiar.
- Meu irmão vai nessa festa. Em que série você está?
- Oitava.
- Meu irmão também. Acho que era na B.
Espera um momento. Será que ele seria irmão do...
- Júlio! Você é irmão do Júlio?
- Sou. Vocês estudam na mesma sala?
- Sim.
Não posso ficar vermelha agora. Tenho que ir depressa. Antes que o irmão do Júlio perceba alguma coisa. Ele sorri tão radiante:
- Aqui está. Dá dois e quarenta.
- Aqui.
- Obrigado.
- Tchau!
- Até...
Isso foi estranho. Fiquei nervosa não só porque ele era irmão do Júlio, mas também porque ele era bonito. E ainda mais bonito que o próprio.
Chego em casa e já começo a confeccionar a minha fantasia. Eu abro o rolo do papel cartão e vejo no verso do papel que o prendia:
“Me encontre no escuro.”
A frase estava escrita numa caligrafia tão bonita. O que será que era aquele papel? Algum recado e justamente aquela parte foi parar ali ou... Era para mim? Será que ele escreveu aquilo? Não. Se foi, o que ele queria dizer com isso? Minha imaginação às vezes é muito fértil.
Fantasias prontas. Festa pronta. 31 de outubro. Quarta-feira. Finalmente o dia da festa chegou! E aqueles meninos surpreenderam a todos com suas fantasias de zumbis. Realmente eles estavam assustadores com toda aquela maquiagem e sangue falso manchado na roupa e escorrendo pelos braços e rosto. E ainda atuavam revirando os olhos, gemendo e pegando as meninas que fingiam medo e gritavam alto.
Todos pareciam estar se divertindo. As fantasias estavam ótimas. A decoração e a música também. E pelo menos iria ter algo para comer. As “gostosuras” foram trazidas por cada um. Prato de doces, prato de salgados e refrigerantes. Pelo menos vou ter como passar o meu tempo... Tudo bem, havia as “travessuras” mas eu não ia me divertir participando do concurso de fantasias, da dança e nem dos joguinhos que eles iriam fazer.
“Seria bom se algo acontecesse.”
No auge da festa as luzes se apagam. Ficou escuro de repente e todos ficaram assustados. Parece que havia mais uma travessura na festa, mas era uma pane na rede elétrica. Pelo menos metade da cidade estava sem luz.
No meio da escuridão e da gritaria alguém me puxou pelo braço. Pela silhueta da fantasia ao luar eu reconheci Júlio. Meu coração bateu forte. Seria um engano? Para onde ele estava me levando? Enquanto eu pensava, corria para longe da multidão de mãos dadas com ele. Sua fantasia era enigmática. Um homem de cartola, capa e máscara.
Distantes e isolados dos outros ele finalmente parou, virou-se para mim e disse:
- Agnélia, não posso tirar a máscara.
- Por que não? O que houve? Ficou presa?
Automaticamente tentei tirar a máscara dele.
- Feche os olhos.
Aquilo era muito estranho. Talvez fosse uma brincadeira.
- Júlio?
Ele finalmente tirou a máscara. Pegou no meu ombro. Curvou-se sobre mim. Seu rosto foi se aproximando. Não dava para enxergar mesmo com o luar, mas deu para sentir seus lábios, o sabor de seu beijo. Instintivamente eu fechei os olhos quando isso aconteceu e no momento seguinte as luzes se acenderam e ele sumiu.
Sem achá-lo voltei para a festa. Perguntei à Letícia se ela tinha visto o Júlio. Para a minha surpresa ela disse que ele não tinha vindo. Então quem era aquele garoto que eu pensei ser ele? Será que era o irmão do Júlio?
- Mas o Júlio não tem irmão.
- Letícia não brinca comigo.
- Estou falando sério. Ele tinha um irmão, mas ele morreu faz uns 4 anos.
Depois da festa fui para casa olhando para a lua e pensando naquele beijo. Recordando aquele momento. Estava tão frio.

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